sábado, 2 de junho de 2012


TUDO COMERÇA COM  A  CURIOSIDADE   COM AMIGOS DESCOLADOS

a curiosidade surge exatamente quando não se sabe direito quais são asopções de atendimento e se existe um atendimento peculiar para este tipo dedependência.
 Ao longo das investigações fomos descobrindo que o quadro é muito maisgrave e cruel do que imaginávamos. Desde pouquíssima bibliografia a respeitodo assunto no Brasil, até a completa falta de política de atendimento específicapara a, o que o próprio secretário da saúde do estado do Rio Grande do Sulchama de - ‘epidemia’.
 Iniciamos pela seleção das categorias chaves para a nossa investigação.Neste momento percebemos as dificuldades que teríamos e a falta deconhecimento prévio que tínhamos. Definir o que é droga, dependência,tratamento parece uma tarefa simples, porém foi a base para a compreensãodas causas das conseqüências desta epidemia. O crack é uma drogaextremamente atípica e traz consigo uma carga de sofrimento e violênciageneralizadas.
 Percorremos em nossos estudos pela história da cocaína, formas de uso eaté mesmo a respeito do preconceito enfrentado pelos usuários e ex-usuáriosde drogas em nossa sociedade. E temos a plena certeza que muito deve epode ser realizado através do Sistema Único de Saúde, que sem dúvida é oúnico recurso e direito disponível para a maior parte dos dependentes destadroga e de seus familiares.


2 - UM POUCO DA HISTÓRIA DA COCAÍNA

A planta Erythroxylon Coca
, comumente conhecida como coca, era utilizadapelos índios da América do Sul. Eles acreditavam que a “Mama Coca”, como adenominavam, foi um presente dos deuses para que eles pudessem suportar afadiga e cansaço. Os nativos andinos não sabiam extrair das folhas o princípioativo, mas aprenderam a conservá-lo, misturando à planta substânciasalcalinas (cal) (Johanson,1988). Embora muito comum na América do Sul, aEuropa só veio a conhecer a coca no começo do século XIX, quando foi levadapara a Inglaterra pelo Jardim Botânico Real. Na década de 1880, a coca passou a circular por toda Europa e América doNorte, sob a forma de chá. O cultivo e a produção eram feitos no Peru, ondehavia um órgão do governo que controlava a coca licenciada para a exportaçãofarmacêutica, a Empresa Nacional da Coca. Os europeus viam a planta comouma erva medicinal capaz de aumentar a longevidade com componentes quemantinham a “alma e a mente fresca”. A medicina adotou definitivamente a substância após a obtenção doprincípio ativo puro, isolado por Albert Niemann, em 1859 (Karch,1998). Antes,em 1855, o químico Gaedecke já havia extraído um resíduo oleoso das folhas
 de coca, ao qual denominou eritroxilina (Johanson, 1988). As indicações dacocaína para o tratamento das farmacodependências, como estimulanteincapaz de danos secundários, ideal para exaltar o humor, espantar adepressão e "deixar as damas plenas de vivacidade e charme", forampublicadas nas principais revistas médicas da época, na Europa e nos EstadosUnidos (Escohotado, 1996). Suas propriedades anestésicas foram utilizadas notratamento de dores de dente e garganta, em bloqueios anestésicos e abriuuma nova fronteira nas cirurgias oftalmológicas (Karch,1998). Era utilizadapelas vias oral, por inalação ou por meio de injeções intradérmicas(Escohotado,1996).Sigmund Freud, considerado o “pai da psicologia”’, publicou umamonografia denominada: Über Coca, em 1884, que sintetizou aquilo que vinhasendo falado e escrito pela comunidade científica nas últimas décadas doséculo XIX. Há controvérsias em relação a essa monografia, pois se acreditaque ele era pago por indústrias da época para divulgar as “vantagens damaravilhosa planta”. O trabalho do então desconhecido cientista, exaltava acapacidade da substância de exaltar o humor, combater o 'morfinismo', o'alcoolismo' e transtornos gástricos, caquexia e a asma, além de ser afrodisíacoe anestésico local. Em artigos subseqüentes, considerou improvável aexistência de uma dose letal para a substância e colocou suas experiênciascom a mesma no tratamento da histeria e hipocondria (Escohotado,1996).
 Porém, Freud publicou uma continuação de "Uber coca", modificando seuponto de vista, originalmente favorável à cocaína. Não obstante, algunsautores, como Bucher (1992), defendem a tese de a cocaína ter contribuídoindiretamente para que Freud realizasse a descoberta dos processosinconscientes, permitindo a criação da psicanálise. Dessa forma, Freud teriaresgatado sua dívida com a humanidade, oferecendo um novo e poderosoinstrumento para a auto-compreensão sem toxicidade, embora não tãoinofensivo para o "sono tranqüilo", baseado na ignorância sobre o própriorespeito da sociedade. Isso pode ser exemplificado por um anuncio da épocaque laboratório Parke Davis publicou aos médicos: "Esperamos que seja maisfreqüente a aplicação dos maravilhosos efeitos da cocaína na terapêutica geral,dos quais destacamos a melhora do estado de ânimo, o aumento dasfaculdades físicas e mentais, assim como o aumento da resistência ao esforço[...] Seria uma lástima que tão destacadas propriedades não fossemexploradas". A popular bebida Coca-Cola originalmente havia quantidadessignificativas de cocaína na sua formula (vem daí toda sua fama de melhor refrigerante). O conhecimento das reações aos tratamentos “milagrosos” da cocaína sóganharam força, (embora presente desde o início do século XIX) no final doséculo XIX (Spillane, 1999). Sintomas psicóticos e depressivos, insônia erelatos de abuso e dependência, onde o consumo era classificado por seususuários como uma 'tentação irresistível' golpearam os elogios incondicionaisque a substância vinha recebendo até aquele período (Escohotado, 1996). Por volta de 1890, pelo menos 400 casos agudos ou crônicos de danos físicos epsíquicos relacionados à cocaína já haviam sido publicados na literatura
médica (Grinspoon et al, 1985). Em 1901 a Coca-Cola retirou a cocaína de suafórmula (Karch, 1998). Emil Kraepelin (1902), durante uma conferência paraclínicos da Universidade de Heidelberg, ao falar sobre a importância do papeldo médico para "a prevenção e o alívio da interminável miséria causada peladoença mental", apontou o alcoolismo, a sífilis e o abuso da morfina e dacocaína, como "os mais importantes pontos de ataque".Por volta de 1905, o consumo inalado da cocaína já era bastante difundidonos E.U.A. e o primeiro caso de lesão da mucosa nasal foi publicado pelaliteratura médica em 1910 (Karch, 1998). As sociedades médicas, no iníciopartidárias e depois convertidas em ferozes opositoras da cocaína, passaram acriticar a venda da cocaína pela indústria farmacêutica, afirmando que esseshaviam promovido a substância de uma maneira irresponsável e não-científica(Spillane, 1999) .A partir da segunda década do século XX, observou-se um declínio noconsumo da cocaína nos Estados Unidos e na Europa até atingir níveisinsignificantes. Para tal, alguns fenômenos foram determinantes: ofortalecimento do puritanismo e da ideologia proibicionista nos Estados Unidos,culminado no aparecimento de leis restritivas e punitivas (Harrison NarcoticsAct, 1914; Boggs Act, 1951; Narcotics Control Act, 1956), que baniram acocaína e a heroína do mercado livre, controlaram as importações dessesprodutos, perseguiram os médicos que prescreviam tais substâncias efecharam várias clínicas para tratamento de dependentes (Escohotado, 1996).A depressão econômica que se estendeu até os anos 40, deixando menosdinheiro para gastos supérfluos (Grinspoon et al, 1985). O surgimento, naEuropa, de medidas socio-educativas e de saúde pública, visando à prevençãoe ao tratamento desses pacientes (Escohotado, 1996). E por fim, a anfetamina,um novo e potente estimulante de longa duração, foi sintetizada em 1932. Asubstância não possuía qualquer restrição punitiva por parte dos estadosnacionais, era barata e parece ter substituído o consumo de cocaína emalguma proporção (Johanson, 1988).Alguns fatores são apontados como contribuintes para o recrudescimentodo consumo de cocaína e heroína no início dos anos 70: o aparato repressivomontado pelo Estado norte-americano concentrava seus esforços no combateà maconha e ao LSD, permitindo que outras substâncias fossem introduzidasno país (Escohotado, 1996). A partir de 1973, o consumo de anfetamina passoua ser controlado, deixando um universo de consumidores carentes de umasubstância com as mesmas propriedades (Johanson, 1988).
EXPANSÃO DO USO DA COCAÍNANOS EUA
 Os movimentos contraculturais beat
ehippie
, dos anos 50 e 60, além deentenderem a experiência com substâncias psicoativas como uma formaperc

 Passo 3 (esquerda): a solução é fervida para separar a parte sólida

Passo 4 (direita): resfriamento da mistura separada

Passo 5: filtragem da mistura fria para isolar os sólidos
 Crack (no filtro à direita)


 EFEITOS NO CORPO
 O Crack leva apenas 15 segundos para chegar ao cérebro e já começa aproduzir seus efeitos. Ao percorrer a corrente sangüínea, o crack primeiro deixao usuário se sentindo energizado, mais alerta e mais sensível aos estímulos davisão, daaudiçãoe do tato. O ritmo cardíaco aumenta, as pupilas se dilatam ea pressão sangüínea e a temperatura sobem. O usuário pode começar, então,a sentir-se inquieto, ansioso e/ou irritado. Em grandes quantidades, o crackpode deixar a pessoa extremamente agressiva, paranóica e/ou fora darealidade, Alguns efeitos:
•Forte aceleração dos batimentos cardíacos.
 •Aumento da pressão arterial.
 •Dilatação das pupilas.
 •Suor intenso.
 •Tremor muscular.
 •Excitação acentuada.
 •Sensações de aparente bem-estar.
 •Aumento da capacidade física e mental.
 •Indiferença à dor e ao cansaço.
•Inquietação psicomotora (dificuldade para permanecer parado, atéquadros mais sérios de agitação).
•Aumento do estado de alerta e inibição do apetite.
 •Alterações do humor.
 •Euforia (desinibição, fala solta) a sintomas de mal-estar psíco (medo,ansiedade e inibição da fala).
 Em 15 minutos a necessidade de um novo consumo já se manifesta, se nãofor usado novamente o usuário pode chegar a um inevitável desgaste físico epodendo chegar a depressão profunda. Todo usuário de Crack é um grandecandidato a morte, pois a droga causa graves lesões irreversíveis ao cérebropor causa de sua grande concentração no sistema nervoso. O Crack causadependência, durante o consumo pode levar a problemas cardíacos ou até epção, contestação e saída do sistema autoritário em que viviam as pessoas .
nenhuma opinião definitiva sobre a questão da hospitalização e dos cuidadosaos toxicômanos. (OLIEVENSTEIS, Claude 1988 pág.115).
TRATAMENTOS E POLÍTICASPÚBLICAS

O tratamento específico para dependência química no Hospital PsiquiátricoSão Pedro (HPSP), iniciou na década de 1940, com uma unidade deInternação Denominada "Pavilhão de Alcoolista". (Araújo et al., 2002).
 Em 2002, a Unidade de Desintoxicação Jurandy Barcellos, segundo Araújoet al. (2002), internava pacientes do sexo masculino de Porto Alegre e interior do Estado do Rio Grande do Sul, com dependência de sustâncias psicoativas.Há registros que, nesta época, a Unidade atendia em média 40 pacientes por mês. O tempo médio de internação era de 7 a 15 dias, e além de ser realizadaa desintoxicação, havia um tratamento tendo como referencial a EntrevistaMotivacional e o Modelo de Prevenção de Recaída, que fazem parte da TerapiaCognitivo-Comportamental (Araújo et al.,2002).
 No dia 6 de agosto de 2002, tendo como fundamento a Lei da ReformaPsiquiátrica do Deputado Paulo Delgado, na qual é previsto o progressivofechamento de leitos em hospitais psiquiátrico e a substituição destes por leitosem hospitais gerais, foram proibidas novas internações na unidade JurandyBarcellos, havendo uma transferência dessas vagas para o hospital Vila Nova apartir de um convênio firmado entre a Secretaria Estadual da Saúde e aPrefeitura Municipal de Porto Alegre. Aqueles pacientes que já estavaminternados na Unidade do Hospital São Pedro ficaram até a sua alta hospitalar,sendo que o fechamento definitivo da Unidade com a saída do último pacienteocorreu no dia 11 de setembro de 2002.No que diz a respeito ao tratamento dedependentes químicos, de acordo com Carlini (2002), as necessidades deleitos, que devem ser guardadas de acordo com as demandas locais eregionais.
 Apesar de termos ido ao encontro da Reforma psiquiátrica, quanto asubstituição dos leitos em hospitais psiquiátricos por leitos em hospitais geraiscom o número insuficiente de serviços substitutivos voltados para odependente químico, grande parte da clientela (usuários) que vem aumentado,pagou pelo ônus de um planejamento indevido (Araújo,2003).
 Em 2004, depois de 2 anos de espera, e atendendo ao solicitado peloSindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS), Sociedade de Apoio aoDoente Mental (SADOM) e Fraternidade Cristã de Doentes e Deficientes do RioGrande do Sul, em Ação Civil Pública posta contra o Estado do Rio Grande doSul, a Justiça determina a reabertura da Unidade Jurandy Barcellos. A juízaRosan Garbin, do 1º Juizado da 4ª Vara da fazenda Pública da Capital, acolheuparecer da promotora de Justiça Marisa Lara Adami da Silva que afirma ser areativação dos trinta leitos imperiosa até a implementação por completo do
 espírito da lei e dos mecanismos ali previstos, inclusive uma reavaliação naReforma Psiquiátrica (Aguiar, 2006). Entretanto, a sentença que determinou areabertura da Unidade foi cumprida somente no dia 31 de julho de 2006. Até ofinal da tarde do dia da reabertura, cinco pessoas já haviam sido internadas(Imprensa/SIMERS).
 Hoje o HPS atende principalmente a demanda de fora da Capital. Ospacientes internados são encaminhados pelas 1ª, 2ª e 18ª coordenadoriasregionais de saúde, envolvendo grande Porto Alegre, Litoral e municípios comoCamaquã e Montenegro. A intervenção judicial também manteve os leitosabertos, no Hospital Vila Nova (Imprensa/SIMERS, 2006).
 A ala destinada à desintoxicação dos dependentes químicos atualmente,além dos 30 leitos, possui quatro consultórios, sala de convivência comtelevisão, mesa do pingue-pongue para entretenimento, oficinas dereabilitação, área para atividades de terapia ocupacional, além de sala deprocedimentos de enfermagem equipada com medicamentos desfibrilador. Aequipe que oferece assistência é composta por profissionais das mais diversasespecialidades. Em acordo com a direção interna do hospital apenas estãosendo aproveitados 20 leitos. Hoje, a demanda de dependência química nosetor de admissão, para fins de internação, costuma ultrapassar 50% daprocura. O tratamento para desintoxicação varia de 7 a 30 dias em ambienteprotegido, propiciando motivação a abstinência e a tratamento externo(Governo do Estado do Rio Grande do Sul). De 31 de julho a 31 de dezembrode 2006 internaram 155 pacientes, havendo uma média de 51,6 internaçõespor mês. (Leonel Tesch Formiga, Rafael Corrêa da Silva Santos, TiagoSacchet Dumcke, Renata Brasil Araújo; 2006).
8.5 - REDUÇÃO DE DANOS OUDIMINUIÇÃO DE PREJUÍZOS
 "Prejuízos" podem ser entendidos como danos, riscos, perigos... Dessaforma, diminuição de prejuízos é um conjunto de medidas dirigidas a pessoasque não conseguem ou não querem parar de consumir drogas. Essasestratégias têm por objetivo reduzir as conseqüências negativas que o uso dedrogas pode ocasionar. Um bom exemplo seriam as campanhas orientando aspessoas a não dirigirem após consumir bebidas alcoólicas. Outro exemploseriam os programas de troca de seringas dirigidos a usuários de drogasinjetáveis. Sabemos que a forma de transmissão mais perigosa do vírus daAIDS é a passagem de sangue contaminado de uma pessoa para outra.
 Nos programas de troca de seringas, são recolhidas as usadas e colocadasnovas a disposição. Por meio desses procedimentos ocorre redução importanteda infecção pelo vírus da AIDS, assim como de outras doenças contagiosas. Aocontrario do que se temia inicialmente, os programas de troca de seringas nãoinduzem as pessoas a utilizar drogas injetáveis. Além disso, eles constituemuma medida de saúde pública da maior importância para o controle da
 epidemia mundial de AIDS..(SILVEIRA,Dartiu Xavier e SILVEIRA,EvelynDoering Xavier ; 2004 pág. 29).
REDUÇÃO DE DANOS DO CRACK NOBRASIL
Em outros requisitos, o atendimento a usuários de
crack
requer muitacriatividade para superar as grandes dificuldades decorrentes damarginalização e da vulnerabilização dessa população...deve-se levar sempreem conta as especificidades de cada situação e a necessidade de uma posturarespeitosa para com os indivíduos e seus valores.
 Em 1996, a equipe da CETAD (Centro de Estudos e terapia do abuso deDrogas), que desenvolvia projetos de redução de danos para usuários dedrogas injetáveis em Salvador, começou a observar um crescente número deusuários de
crack
nas suas intervenções de rua. Este fato motivou a equipe apesquisar estratégias preventivas a serem implementadas entre esse novogrupo de usuários. De inicio optou-se pela apresentação de vídeos na rua, oobjetivo desta atividade foi oferecer produtos socioculturais alternativos nopróprio contexto social dos usuários, que estimulassem a reflexão,reformulação e/ou questionamento sobre os conhecimentos e comportamentosde risco para as DST/AIDS, outras doenças infectocontagiosas, o abuso dedrogas tais como o
crack
. Junto com tal atividade foi feita uma pesquisabuscando conhecer o perfil psicossocial dos usuários de
crak
naquela cidade,determinar o consumo desta e outras drogas e ainda conhecer as práticassexuais de tais usuários.
 É interessante examinar um projeto pioneiro desenvolvido entre usuários de
crack
buscando tratamento no Programa de Orientação e Atendimento aosDependentes na universidade Federal de São Paulo (PROD/UNIFESP).Nesses estudos foram acompanhados 24 indivíduos do sexo masculino por 12meses "referiam nas primeiras consultas que vinham usando maconha comouma forma de atenuar os sintomas de abstinência do
crack
" ... Os cannabis
,projetos de substituição encontram grande resistência por parte dasautoridades de saúde e de médicos em geral, tornando-se de difícil execução ereplicação, o que é lamentável tendo em vista as dificuldades apresentadaspelo tratamento clínico da dependência de
crack
e a necessidade de novasmaneiras de abordá-lo.(SILVEIRA, da Dartiu Xavier e MOREIRA, FernandaGonçalves "Panorama Atual de Drogas e Dependências" 1ª edição -EditoraAtheneu, São Paulo, 2006 pág. 375)
 Roteiro Terapêutico:
Acolhimento: Pode-se ser realizado em grupo ou individualmente,e o objetivo é garantir um espaço de troca, onde as angustiasseja acolhidas no "aqui e agora".
 Avaliação e acompanhamento psiquiátrico
 Triagem: constituído pela avaliação clinica e psiquiátrico dopaciente que procura tratamento para dependência..(SILVEIRA,da Dartiu Xavier e MOREIRA, Fernanda Gonçalves, 2006 pág.375)oForam analisados os registros dos pacientes atendidos em dois serviçosambulatoriais públicos da cidade de São Paulo, no período de 1990 a 1993. Osdois ambulatórios estudados (PROAD e UDED) são setores especializados notratamento de abuso e dependência de drogas. O PROAD (Programa deOrientação e Atendimento a Dependentes de Drogas) é um setor doDepartamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina (EPM), e a UDED(Unidade de Dependência de Drogas), um setor do Departamento dePsicobiologia da EPM. Ambos oferecem tratamento gratuito.
 As duas clínicas usam uma entrevista inicial padronizada, que, embora emsua forma e aplicação sejam diferentes, possuem algumas variáveis emcomum, permitindo a análise dos dados agrupados.(.http://www.scielo.br/;2008).
 FASC ENCAMINHA DEPENDENTESPARA O TRATAMENTO
- Descentralização: a execução dos serviços seria comandada e realizadapelos Municípios e pelos Estados, minimizando o papel da União;
 - Unicidade de Comando: embora descentralizado, o sistema passaria a ter um comando único em cada esfera de governo, evitando a antiga duplicaçãode esforços que existia entre as estruturas do Inamps, do Ministério da Saúde edas secretarias estaduais e municipais;
 - Participação Social: a sociedade participaria da gestão do sistema atravésde Conselhos de Saúde organizados em todas as esferas de governo, queteriam funções no campo do planejamento e fiscalização das ações de saúde.
 O SUS integra não apenas as redes federais de saúde, mas também asredes públicas dos Estados e Municípios, embora os hospitais universitários,por exemplo, continuem a pertencer à estrutura das universidades e doMinistério da Educação. Também o subsistema de assistência médica dasforças armadas continua isolado, não integrando o SUS.
 O SUS, em nível estadual, passou a ser composto pela fusão dos escritóriosregionais de saúde (antigas superintendências) às secretarias estaduais desaúde, passando suas ações a estarem subordinadas ao comando dassecretarias.

No entanto, até o momento, nem todos os Estados absorveram as redes doInamps por alegarem dificuldades relacionadas às despesas de custeionecessárias à manutenção destas redes. O mesmo se passou com osMunicípios, ou seja, poucos deles absorveram os estabelecimentos do Inampspor razões financeiras e por dificuldades de ordem operacional.Os repasses de recursos da União para Estados e Municípios, a partir de1989, passaram a ser feitos segundo a prestação de serviços efetivamenterealizados em cada unidade da federação.
 No caso dos gastos ambulatoriais, os valores eram repassados segundocritérios per capita. No caso dos valores para o atendimento ambulatorial,limitava-se o teto de 0,1 de internação por habitante/ano; em cada Estado e(ou) Município, pagos também após a emissão da fatura do serviço prestado.
9.1 - ATENÇÃO ÀS URGÊNCIAS
 O quadro da Atenção às Urgências no Brasil apresenta-se, com identidadedramática: atendimento voltado a pronto-socorros de hospitais, filas e muitotempo de espera para as pessoas serem atendidas, pacientes hospitalizadosnos corredores das entidades - muitos portadores de sérias doenças e tambémcom outras particularidades.Será que é possível ter compreensão da totalidade do problema, com essa“cruel” realidade que nos deparamos diariamente? Impossível
 compreendermos e aceitarmos, todos os dias indivíduos morrendo nas filas dasUTI, sem o mínimo de assistência médica, e o longo tempo de espera paraconsultas e exames. Essa realidade não está satisfatória para a humanidade,precisamos ter qualidade de vida, queremos justiça e direito de viver comcidadania neste país. Segundo um artigo publicado pelo Ministério Público,Política Nacional de Atenção às Urgências (2008), que relata a seguinteinformação:
O Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silvapretende desenvolver ações que efetivamentepriorizem a área de urgência, com o objetivo deproteger a vida e melhorar as condições de saúde dapopulação (Esalba: páginas curriculares 2008/1).
Perante essa informação, nossa expectativa em relação ao MinistérioPúblico e ao governo do Estado, é de que venham fazer uma leitura detalhadadas necessidades da área da saúde, pois as urgências da sociedade nãopodem esperar. Temos direito de viver com qualidade, pois todos os cidadãosestão inclusos no Sistema Único de Saúde (SUS), onde nenhum serviço podeser cobrado, devido ao seu financiamento já garantido pelo pagamento deimpostos e contribuições sociais, onde entendemos como conjunto de ações eserviços de saúde, prestados por redes públicas federais, estaduais emunicipais, que tem dentro das suas diretrizes o seguinte objetivo:“Universalização do Atendimento: toda a rede pública própria ou comandadapassaria a atender a população, em caráter universal, sem restrições oucláusulas de cobertura”. Como podemos verificar, nossos direitos existem, noentanto precisamos garanti-los.
 Nos estados brasileiros há sérias dificuldades relacionadas às despesasfinanceiras com manutenção das redes de saúde, por isso o desenvolvimentodo SUS tem sido lento e, em certa medida, prejudicado pela grande crisefinanceira do setor público na saúde, devido aos partidos neo-liberalistas queapóiam as privatizações de nossos direitos, assim enfraquecendo o Estado.Precisamos entender esse sistema para contribuirmos para uma reconstruçãono Brasil, e assim Cunha (1998) acredita nessa mudança: “O SUS se constróino cotidiano de todos aqueles interessados na mudança da saúde no Brasil.Entendê-lo é uma boa forma de fortalecer a luta pela sua construção”.(CUNHA,1998).
 Perante essa análise de atenção às urgências, podemos firmar que aepidemia do
crack
está inclusa em uma das emergências da sociedade,precisamos ter tratamento no SUS para dependentes de
crack.
O secretário dasaúde reconhece tamanha deficiência que a saúde pública vivência, comodisse a uma entrevista para o jornal Zero Hora publicada no dia 31/07/2008, 31:“O problema não é só garantir internação. O
crack
precisa de mais tempo detratamento do que outras drogas. Hoje estamos internando para desintoxicar emandando de volta para a droga”. O secretário reconhece o Estado também,promessas são feitas, tal como o projeto- piloto: Projeto que planeja gastosadicionais de R$ 2 milhões por mês, além da criação de 500 novos leitos parausuários da droga, a promessa foi feita no final de abril de 2008, mas até agora
 não foi implantada, o número de dependentes aumenta cada vez mais em umperíodo muito curto.Em pesquisa realizada pelo grupo no material que à Zero Hora divulgou por uma semana, chamado de epidemia do
crack,
tem o relato do diretor-técnicodo Hospital espírita de Porto Alegre, ele dúvida da implementação do projeto,devido ter tido que fechar os 80 leitos que hospital oferecia pelo SUS, fala queo Estado não conseguiu dar conta destes, então como podemos acreditar quevão criar 500?
 É devido a essa promessa e outras, que a sociedade não pode seacomodar. Precisamos urgentemente elaborar um tratamento específico paraos usuários de
crack
e outras drogas, para que diminua o número de pessoasmortas todos os dias, famílias abaladas, jovens sem qualquer expectativa devida e outras conseqüências que a droga traz. Assim podemos conferir emalguns anexos que nossa pesquisa apresenta.
 PRECONCEITO

A sociedade atual é muito rígida quando o assunto é usuário de drogas emgeral, mas o que as pessoas muitas vezes não se dão conta é que podemestar incentivando esses jovens tendo um comportamento mais vulnerávelquando se trata de drogas legais. A cultura química abraçada pela sociedadefaz com que esses jovens muitas vezes aprendam com suas próprias famíliasque poderão vir a usar drogas quando crescer. Eles presenciam o uso debebidas alcoólicas e cigarros muitas vezes dentro de casa e a informação querecebe é que ainda é muito pequeno para experimentar certas coisas.Claro que não se pode generalizar, levando em conta também de que afase da adolescência é um período de transformação e descobertas, em que o jovem, lida com responsabilidades que antes não tinha, ocorrem às mudançashormonais, inicia-se um afastamento da família e sofre a influencia e pressãodos amigos para ser inserido no grupo.É compreensivo que as pessoas pensem no usuário de crack compreconceito, pois é reconhecido mundialmente o fato de que o consumo dedrogas aumenta a criminalidade, há relatos de que o risco de sofrer algum tipode violência é 14 vezes maior para os que moram com usuários de drogas. Ousuário fica agressivo tanto pelo efeito químico de algumas drogas quanto pelafalta que sentem quando não as tem.
 É possível combater esse mal social que traz conseqüências tão gravescom informação, não partindo do pricípio de que o preconceito é mau, muitasvezes ele é um instrumento necessário de defesa e sobrevivência.
  CONCLUSÃO
Percebe-se que apesar do SUS atender os usuários de crack ainda que emconta-gotas, em comparação com a crescente demanda que surge a cada diano seio da sociedade e atingindo a todas as camadas sociais, o SUS comodireito dos cidadãos procura estabelecerem uma política que possa dar umtratamento digno para essas pessoas.No entanto, sabemos que só o tratamento para desintoxicação não resolve.Devemos criar convênios junto às clinicas de tratamento de longo prazo paraque esses usuários possam superar a dependência desta droga que destróisuas vidas e a de seus familiares. A participação das famílias no tratamento éde fundamental importância, pois sem ela, fica quase impossível ao usuáriouma total recuperação.Este trabalho foi de extrema importância para os integrantes do grupo, queatravés da disciplina de Saúde Coletiva puderam utilizar esta metodologiacomo forma de atingir outros prismas e adquirir conhecimentos. A experiênciade construir conhecimento a partir da caminhada em grupo, trouxe efeitos quevão desde auto-conhecimento até a oportunidade do exercício da tolerância eco-responsabilização pelos resultados.

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